O retorno às negociações do ACT da Copel começou, como não podia ser diferente, com muita fala e pouca ação. Muitos malabarismos retóricos para mascarar uma postura (chamada equivocadamente de cultura da empresa) que, sim, separa mais ainda a Copel entre os que estão na alta gestão, nos escritórios ou nas reuniões e eventos caros e os trabalhadores e trabalhadoras que estão na base, trabalhando arduamente para sobreviver.
Em nome da eficiência do mercado, mais uma vez, colocam-se à mesa absurdos como culpar os trabalhadores e trabalhadoras de terem o justo receio de que a mentalidade privatista atinja o emprego das pessoas concursadas, ainda que o clima disseminado seja este até mesmo na opinião pública, muitas vezes estimulado pelos próprios discursos e atos de gestores em diversos níveis.
A empresa perguntou por que razão uma proposta “tão boa” foi recusada por 77% da base e o que os sindicatos proporiam para a empresa atender. Os sindicatos não têm que assumir a posição subalterna de escolher quais cláusulas a magnanimidade da empresa precisa olhar. Queremos a defesa da proposta escolhida pelos trabalhadores e trabalhadoras e apresentada à mesa de negociações.
A angústia, o sofrimento e a pressão que a base vivencia no cotidiano não são caladas ou esquecidas com penduricalhos. Queremos condições dignas e bem remuneradas de trabalho, um ambiente saudável de trabalho e sermos tratados com respeito, pilar da ética. Não adianta falar em ética em primeiro lugar se o princípio-base deste termo, o fato de devermos tratar as pessoas da mesma forma que queremos ser tratados por elas, é solenemente ignorado pelas políticas da empresa.
Guilherme Toscan, economista representante do Dieese, observou que mais de 80% das negociações do setor nos últimos dois anos resultaram em ganho real para a base. A situação de pleno emprego na economia brasileira e a abertura do mercado fazem com que boa parte do quadro funcional tenha oportunidades muito mais atrativas em outros lugares do que na empresa. Como se sustenta o discurso da empresa de que se preocupa com o quadro funcional se não há providências práticas e reais neste sentido?
Ao fim, a empresa apresentou as seguintes alterações em sua proposta ao final da manhã:
– Manutenção do PAT nas normas vigentes atualmente.
– Validade por dois anos.
– Valores de abono salarial – válidos apenas para o ano de 2025 (sem abono em 2026):
* Para Salários até 6 mil reais: R$ 1000,00
* Para salários de 6 a 8 mil reais: R$ 500,00
Os sindicatos convocam as assembleias para semana que vem:
Horário das lives:
Dia 18/11, às 18h, abertura da votação
Dia 19/11, às 18h – resultado da votação
É importante sua participação! Consulte seu sindicato e faça sua voz ser ouvida.
